"o pior analfabeto é o analfabeto político..." Bertold Brecht

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Quarta-feira, 27 de Abril de 2005

As portas que falta abrir...

imagem-pcp-abril-2005.jpg
“(…) Elas dobraram em quatro um papel que levava dentro/uma cruzinha laboriosa./Elas sentaram-se a falar à roda de uma mesa a ver/como podia ser sem os patrões./Elas levantaram o braço nas assembleias.”, Maria Velho da Costa in Revolução e Mulheres.

Ontem, além da comemoração do 31º aniversário do 25 de Abril, celebrou-se o 30º aniversário da realização das primeiras eleições livres para a Assembleia Constituinte.
Passados tantos anos sobre estas conquistas, seria de esperar que a situação dos trabalhadores portugueses e da população em geral fosse bem melhor do que é actualmente.
Ao longo destes anos, a actuação dos sucessivos governos tem fomentado uma política laboral assente nos baixos salários, nos atentados aos direitos dos trabalhadores, na precarização das relações de trabalho, contribuindo desta forma para o baixo nível de vida da população e para o aumento do fosso entre ricos e pobres.
Direitos sociais fundamentais como o acesso à saúde, educação e segurança social universais; ou o direito de acesso à habitação, à fruição cultural e ao desporto, não só não têm evoluído, como em muitos aspectos se tem verificado grandes e graves retrocessos.
No início deste ano, os portugueses demonstraram claramente a sua vontade de contribuir para uma viragem na politica nacional, derrotando amplamente a direita e pondo fim ao ciclo PSD/CDS-PP. Contudo, o PS já demonstrou claramente que prosseguirá no essencial com as políticas de direita, não se verificando a tão ansiada mudança.
Este ano teremos igualmente eleições autárquicas, por esse facto, o governo de maioria socialista, prossegue com um discurso nebuloso e cinzento em relação a aspectos fundamentais da política nacional, naquela que é uma clara tentativa de desviar as atenções, guardando para depois do acto eleitoral as medidas mais gravosas e mais susceptíveis de gerarem contestação social.
O exemplo claro desta atitude e posição do PS é evidenciado com o chumbo ao aumento suplementar do salário mínimo nacional; com a não revogação imediata das medidas mais gravosas do Código do Trabalho; com a continuidade dos ataques à saúde pública, de qualidade e tendencialmente gratuita; com a continuação de políticas de contenção salarial; com a continuidade da subjugação dos interesses nacionais aos europeus, pondo mesmo em risco a própria soberania nacional…
A data que ontem se comemorou, e o 1º de Maio, são certamente alturas importantes para reafirmação da luta dos trabalhadores e do povo por melhores condições de vida e de trabalho.
Mas são também alturas importantes para a reafirmação e continuidade da luta das mulheres pela emancipação, pela paridade, pelo direito de optar… ou para a luta dos reformados e pensionistas pelo direito a uma vida digna…
Vivemos sem dúvida tempos difíceis quer a nível nacional, quer a nível regional. Pois apesar do governo de Carlos César continuar a afirmar que a crise passou ao largo da Região, que as contas regionais tiveram um saldo positivo durante o ano passado, a verdade é que a maioria da população não sente melhorias e o PS os Açores prossegue as políticas neoliberais de favorecimento de sectores privados, de criação de sociedades anónimas de capitais públicos, numa clara tentativa de fugir à fiscalização por parte da Assembleia Legislativa Regional do investimento público que é efectuado.
Mas, não vivemos momentos conturbados apenas no que respeita às políticas laborais e sociais, vivemo-lo igualmente no plano político e na grande ofensiva que os sucessivos governos têm desencadeado ao sistema democrático.
Sob a falsa capa do combate à corrupção, ao carreirismo e de defesa da democraticidade, engendram-se leis como a da limitação dos mandatos, ao mesmo tempo que surgem tendências e propostas quanto ao poder autárquico que irão criar situações de esvaziamento da fiscalização da actividade do executivo camarário.
A dignificação da política consegue-se através da prática honesta da mesma, do exercício da defesa dos interesses da população, do aumento das capacidades fiscalizadoras por parte dos órgãos competentes e não com medidas encapotadas que vêm tapar o sol com a peneira e de certa forma contribuir para o agravar de certas situações.
A dignificação da política e a efectiva mudança deste estado de coisas, só se consegue com o exercício pleno, consciente e activo dos direitos e deveres de cidadania.
O 25 de Abril abriu portas a conquistas e direitos que antes não tínhamos. Pôs fim a um dos períodos mais cinzentos da nossa história. Contudo, passadas mais de três décadas, muitas portas continuam por abrir e muitos têm tentado fechar algumas das mais importantes, cabe a todos e cada um de nós contribuir para que “agora ninguém mais cerre as portas que Abril abriu” (Ary dos Santos).

analfabetado por ilheu às 16:32

para onde devo ir | ajuizar | juntar...
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6 comentários:
De Anónimo a 6 de Maio de 2005 às 00:09
A democracia poderia ser um sistema aceitável se os cidadãos pudessem escolher os seus governantes sem serem iludidos, enganados, ludibriados, etc. Mas tal não acontece, daí que seja natural o PCP/CDU não ganhar as eleições, excepto em "meia dúzia" de autarquias.ze_ant
(http://iletradosunidos.blogspot.com/)
(mailto:jose_a_m_silva@sapo.pt)


De Anónimo a 3 de Maio de 2005 às 00:25
O Sonho comanda a Vida... :)
Força Camarada! (temos k pintar murais para as legislativas :p )Sandibel
(http://semolina-pill.blogspot.com)
(mailto:gekynhas@sapo.pt)


De Anónimo a 29 de Abril de 2005 às 19:10
Para participar no http://bloguerscomunistaseamigos.blogspot.com/

basta que me envies o teu endereço de email. Que eu convido-te para seres membro do blog.ze_ant
</a>
(mailto:jose_a_m_silva@sapo.pt)


De Anónimo a 29 de Abril de 2005 às 17:54
Subscrevo na integra o teu texto.

Fraternos Beijos,Fernando B.
(http://lusomerlin.blogspot.com)
(mailto:ftcb@netcabo.pt)


De Anónimo a 29 de Abril de 2005 às 09:59
Admitindo que "a democracia é o pior de todos os sistemas, com excepção de todos os outros" votar é ainda uma forma de marcarmos posição, de escolhermos. E mesmo para quem não encontra facilmente o quadradinho onde colocar a cruz, é um acto de consciência. É preciso. Conquistámos esse direito; não o deitemos agora a perder.caterina
(http://www.caterina.blogs.sapo.pt)
(mailto:caterina_c@sapo.pt)


De Anónimo a 29 de Abril de 2005 às 09:59
Admitindo que "a democracia é o pior de todos os sistemas, com excepção de todos os outros" votar é ainda uma forma de marcarmos posição, de escolhermos. E mesmo para quem não encontra facilmente o quadradinho onde colocar a cruz, é um acto de consciência. É preciso. Conquistámos esse direito; não o deitemos agora a perder.
</a>
(mailto:)


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