"o pior analfabeto é o analfabeto político..." Bertold Brecht

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Segunda-feira, 14 de Março de 2005

Sexualidade consciente… uma questão de cidadania!

De acordo com uma notícia recentemente publicada num órgão de comunicação social, o número de gravidezes em jovens e adolescentes açorianas continua a aumentar, o que não é propriamente uma novidade até se tivermos em conta que este é um problema que se arrasta há largos anos, sem merecer por parte dos sucessivos governos medidas de intervenção específicas.
Poucos dias depois de ter sido publicado um estudo a nível nacional que refere ser cada vez maior o número de jovens a recorrer à pílula do dia seguinte e que a maioria dos jovens têm relações sem qualquer tipo de protecção, temos mais esta notícia, que não surpreende, mas que merecem algumas reflexões.
Todos sabemos os riscos de relacionamentos sexuais sem protecção, não só pelo risco das gravidezes indesejadas e que alteram radicalmente a vida dos jovens, mas também pelos riscos de contrair doenças sexualmente transmissíveis.
Se é verdade que a maioria dos nossos jovens têm informação na área dos direitos sexuais e reprodutivos, não é menos verdade que lhes falta formação e que os preconceitos sociais em relação à sexualidade levam a que muitos jovens tenham “vergonha” de recorrer à farmácia, ao centro de saúde, ou ao médico de família para receberem aconselhamento e acederem aos métodos contraceptivos.
O facto de se continuar a encarar a sexualidade como um “tabu”, leva a que os jovens e adolescentes, ao iniciarem uma vida sexualmente activa, tenham receio de falar abertamente sobre o assunto, quer com os profissionais de saúde, quer com os pais.
Por outro lado, a carência de médicos de família leva a que os poucos que existem, tenham listas de utentes sobrecarregadas, não permitindo o atendimento personalizado que seria desejável, e fazendo com que a maioria dos nossos adolescentes, ao entrarem na puberdade, não recebam por parte do seu médico a informação necessária quer quanto às transformações físicas que o corpo sofre, quer quanto à forma de actuação.
Na última legislatura, o grupo parlamentar do PCP entregou na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores um requerimento sobre direitos sexuais e reprodutivos, no qual se interrogava o executivo açoriano sobre as medidas específicas e acções previstas para esta área, número de escolas onde existe educação sexual, número de centros de saúde onde existem consultas de planeamento familiar e distribuição gratuita de métodos contraceptivos.
A resposta dada pela então secretária adjunta da Presidência, Cláudia Cardoso, deixa qualquer um de boca aberta, sem saber se há-de rir pelo ridículo de muito se escrever sem nada dizer, ou chorar, por constatar que, apesar deste ser um problema de todos nós com graves repercussões sociais e económicas ainda nada se fez para inverter esta curva que nos deve envergonhar a todos por ser representativa do atraso civilizacional em que ainda vivemos.
A velha ideia de que falar de sexualidade fará com que os jovens iniciem uma vida sexual activa mais cedo, é não só descabida como totalmente incorrecta, dado que falar de sexualidade e educação sexual, não é apenas falar do acto sexual, mas igualmente dos afectos. A educação sexual não se resume nem se pode resumir ao mero funcionamento biológico do aparelho sexual, e deve não só dar informação, mas também formar os nossos jovens de forma a que, quando decidirem iniciar uma vida sexual activa o façam de forma consciente e segura, não correndo riscos que podem alterar completamente as suas vidas.
A apatia perante todos estes dados por parte dos responsáveis governamentais, exige que toda a população açoriana pressione o executivo a desencadear medidas sérias e efectivas.
Num ano em que se comemoram trinta anos das primeiras comemorações livres do Dia Internacional da Mulher, num ano em que se celebra o trigésimo aniversário da realização de eleições livres em Portugal, num ano em que o Ministro da República para os Açores promove o Congresso da Cidadania, era bom que se abordasse estas questões de forma despreconceituosa, aberta e clara, e que do debate surgissem medidas específicas de acção que fossem colocadas em prática desde logo.
A sexualidade consciente, informada e formada é uma questão de cidadania, pois corremos o sério e grave risco de daqui a uns anos, termos não só números ainda mais elevados de gravidezes precoces, mas termos igualmente taxas de infecção pelo HIV muito superiores às actuais.

analfabetado por ilheu às 13:12

para onde devo ir | ajuizar | juntar...
|

3 comentários:
De Anónimo a 14 de Março de 2005 às 20:07
Ok.

Já está nos favoritos!João Pacheco de Melo
</a>
(mailto:rotas_jp@sapo.tp)


De Anónimo a 14 de Março de 2005 às 15:04
Tens toda a razão Paulo, entretanto vamos aumentando as taxas de gravidezes precoces... as taxas de infecções por HIV... e depois pomos as mãos à cabeça!
São os mesmos púdicos que não aceitam que se fale abertamente nestas questões que não fazem ideia do que é ser mãe aos 15, 16 ou 17 anos...
Ver todos os projectos de uma vida alterados...lurdes
(http://oanalfabetopolitico.blogs.sapo)
(mailto:lurdesbranco@sapo.pt)


De Anónimo a 14 de Março de 2005 às 13:42
Esta sociedade de falsos tabus e pudicas virtudes, a mesma sociedade que acobertava os Farfalhas, os Carlos Silvinos, o Ballet Rose, falar na sexualidade?....Nem pensar! Terra desgraçada a nossa, com uma bosta de sucessivos governos e nenhum deles, decidido a enfrentar definitivamente a Igreja Católica nestas situações, sexualidade, aborto, etc...Paulo Miguel
(http://tintafresca.blogs.sapo.pt/)
(mailto:paulo.miguel@simplesnet.pt)


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