"o pior analfabeto é o analfabeto político..." Bertold Brecht

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Quarta-feira, 2 de Março de 2005

O direito à vida… com dignidade…!

Uma criança é muito feliz, principalmente se tiver amor!


Em primeiro lugar, o enorme respeito que tenho pela pluralidade de opiniões, base fundamental do sistema democrático, leva-me a respeitar todas as opiniões, mesmo que diferentes da minha, sem que para contra argumentar recorra ao ataque pessoal, que, diga-se de passagem, normalmente é revelador da falta de argumentos!


Em segundo lugar, é óbvio que, como qualquer pessoa com o mínimo de formação humanista, defendo o direito à vida, mas também defendo uma maternidade/paternidade conscientes, o que, com o actual sistema laboral, social, económico, com a inexistência de Planeamento Familiar, de políticas de educação sexual, é enormemente dificultado.


Já o tenho dito e volto a repetir que preferia viver num país onde a discussão sobre a Interrupção Voluntária da Gravidez não tivesse de estar na ordem do dia, pois tal significaria que os pais e mães o eram por opção, como e quando queriam e não, como acontece frequentemente por “imposição” do vazio de medidas políticas promotoras da maternidade/paternidade.


Ao ler o artigo do senhor Fernando Castro, presidente da APFN, publicado no AO de 01 de Março, veio-me à ideia a triste e infeliz tirada de Francisco Louçã ao dizer a Paulo Portas que este não se podia pronunciar sobre as questões da IVG por nunca ter gerado uma vida.


Ninguém é detentor da verdade absoluta, como tal, a tentativa de imposição de ideias quanto à questão da IVG, a extremização da questão reduzindo um assunto desta natureza e desta importância aos que defendem a vida e aos que são “assassinos” apenas por questões individualistas parece-me demasiado simplista e reaccionária.


Quanto à questão da Interrupção Voluntária da Gravidez é necessário esclarecer o seguinte:


Nenhuma mulher recorre ao aborto de ânimo leve! Quem já tenha passado por esta situação, independentemente de ter opinião favorável ou contrária à despenalização, sabe que não é uma decisão fácil… é uma altura em que o confronto pessoal é enorme e o desgaste psicológico provocado por tal situação já é bastante penalizante para as mulheres!


Recomendo vivamente a leitura do texto de Odete Santos “Porque abortar é um verbo que se conjuga no feminino”, disponível em www.mulheresonline.pt e a visualização do filme “As Regras da Casa”.


Afirmar que uma mulher que recorre ao aborto é assassina, não tem escrúpulos, não tem sentimentos… enfim…


Em terceiro lugar, sobre a posição da APFN quanto à família e ao conceito de família fica bem patente e claro que existem no nosso país – pelo menos para esta associação – crianças de primeira e crianças de segunda. Umas, fruto do casamento entre homem e mulher, que merecem apoio e defesa por parte da APFN e outras, fruto da união de facto ou de famílias monoparentais, que não o merecem.


Fica bem patente e claro que na opinião desta associação, quem por uma ou outra razão, não é casado, mesmo tendo três ou mais filhos, não deverá beneficiar das medidas implementadas ou a implementar, nomeadamente no que respeita a benefícios fiscais e não só.


A luta por uma sociedade mais justa, mais igual e mais fraterna, a implementação de direitos constitucionalmente garantidos que promovam a igualdade de oportunidades de todos os cidadãos, parece ser algo irrelevante para a APFN.


Felizmente temos uma Constituição da República que garante os princípios da igualdade entre todos os cidadãos! Felizmente, apesar de poucos e lentos, têm sido dados passos importantes no sentido do reconhecimento e da garantia da igualdade e da tolerância!


Felizmente, trinta anos após o 25 de Abril, já é reconhecida legalmente a união de facto e têm-se dado alguns passos no sentido do necessário reconhecimento e protecção dos novos tipos de família! São pessoas com ideias retrógradas como estas quanto ao conceito de família que contribuem para a marginalização e exclusão das crianças oriundas de famílias monoparentais!


São pessoas com este tipo de ideias que contribuíram durante anos para que persistisse a existência de filhos de pai incógnito, situação que inclusive atenta contra os direitos da criança.


Por outro lado, quanto aos estudos referidos, é de bom tom referenciar as fontes…


Além disso, conheço muitas pessoas, e conheço gente de “famílias de bem” – fruto do casamento, com um estatuto social e económico bom, com acesso a meios de informação e formação, enfim – que têm tido os tais “comportamentos desviantes”… e também conheço, pessoas que, sendo oriundas de outra coisa qualquer, menos da família – na opinião do senhor Fernando Castro, já que não as reconhece como famílias – que têm tido comportamentos ditos “normais”…!


Já agora, outro conselho: leiam “O Analfabeto Político” de Bertold Brecht… Por último e não menos importante: saiba o senhor que, com muito orgulho, sou mãe de quatro filhos e que tudo tenho feito para que sejam seres humanos tolerantes, bondosos e com uma formação humana que lhes permita aceitar e respeitar as diferenças!


Segundo o vosso conceito de família, não posso ser sócia da APFN, apesar de ter ultrapassado em muito a média da taxa de natalidade do nosso país – sim, porque o cálculo é feito tendo por base o número de filhos por mulher e não por casal – mas não é isso que me faz baixar os braços na luta por medidas políticas mais justas; por uma política de natalidade que contribua para inverter a curva preocupante do nosso país; e pelo direito à maternidade/paternidade conscientes, fundamental para o amor que todas as crianças merecem e têm direito!


analfabetado por ilheu às 11:08

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