"o pior analfabeto é o analfabeto político..." Bertold Brecht

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Segunda-feira, 7 de Novembro de 2005

Turismo, mas como…?!

O Presidente da República visitou recentemente a ilha de Santa Maria no âmbito da presidência aberta sobre turismo, tendo enaltecido a evolução do turismo nos Açores, ao mesmo tempo que relembrou que a Região tem “uma oferta maravilhosa em bruto”.
Na verdade, muito se tem falado sobre o desenvolvimento turístico dos Açores e a necessidade de se apostar no desenvolvimento deste sector; contudo, parece que o desenvolvimento do sector turístico perspectivado pelos governos de César apontam no sentido da afirmação do turismo como actividade económica alternativa aos sectores tradicionais e não como complemento desses mesmos sectores.
Basta olharmos para Ponta Delgada ou para Angra do Heroísmo e vemos um proliferar de grandes instituições hoteleiras que nos fazem antever o desenvolvimento da actividade massivo e, muitas vezes, sem respeito pela natureza.
Exemplo paradigmático desta situação é o projecto anunciado durante a campanha eleitoral para as autárquicas e que prevê a construção de um hotel junto à Lagoa do Fogo e de um campo de golfe.
O projecto desenvolvido pela empresa EcoBarrosa prevê a construção de uma unidade hoteleira com de quatro estrelas com 107 quartos e 6 suites, bem como um campo de golfe com 18 buracos, ocupando uma área de 700 mil metros quadrados.
É no mínimo caricato e merecedor de reflexão o facto de, devendo este projecto ser desenvolvido numa zona abrangida pela Rede Natura 2000, numa zona cujas principais ameaças apontadas no site oficial da Secretaria Regional do Ambiente e do Mar são precisamente a erosão, o fácil acesso, introdução de exóticas, pastoreio e pressão turística.
Não menos caricato e merecedor de reflexão é o facto de na referida página de Internet não se encontrar qualquer referência ao projecto, nem a avaliações de impacte ambiental – até porque os dados existentes sobre processos de Avaliação de Impacte Ambiental desenvolvidos ou em curso na Região Autónoma dos Açores respeitam ao ano de 2002 (há três anos atrás).
Não menos estranho é o silêncio do actual presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande sobre este projecto que já recebeu incentivos financeiros.
Que o concelho da Ribeira Grande necessita de unidades hoteleiras não é novidade para ninguém; que necessita de sair do marasmo em que se encontra, também é verdade; que tem excelentes potencialidades naturais que podem e devem ser utilizadas para o desenvolvimento da actividade turística, contudo, tal terá de ser feito de forma programada e respeitando as condições ambientais.
Também não é menos merecedor de reflexão o silêncio absoluto dos órgãos de poder local, quer da Câmara quer da Junta de Freguesia, sobre o projecto “Velhos Guetos, Novas Centralidades”, que passado mais de um ano sobre o anúncio dos fundos EFTA para Rabo de Peixe, continua praticamente parado, sendo apenas visível a placa afixada nas futuras instalações do projecto que continua sem gestor…
Os ribeiragrandenses em geral, merecem explicações por parte do Governo Regional e da Câmara Municipal quanto ao projecto para a Lagoa do Fogo, da mesma forma que a população da Vila de Rabo de Peixe merece explicações quer dos governos da República e Regional, quer da Câmara e da Junta de Freguesia, sobre o projecto “Velhos Guetos, Novas Centralidades”.
A Vila de Rabo de Peixe é apontada por muitos – mesmo por alguns políticos – como autêntico sorvedouro de dinheiros públicos sem que se vejam resultados práticos da aplicação de tais dinheiros, contudo, poucos são os que questionam a forma como têm sido postos em prática esses projectos e os investimentos efectuados. É que o grande problema reside no facto de ainda não se ter iniciado um programa integrado de educação para a cidadania na Vila de Rabo de Peixe que vá à raiz dos problemas em vez de andar a podar árvores sem remissão…
Neste momento, temos um cine-teatro, inaugurado em Abril deste ano, que abriu as portas apenas por duas vezes, no qual funciona um Centro de Informática que continua sem acesso à Internet e que apesar das promessas de que seria uma sala de espectáculos para cinema, teatro e outras actividades culturais, continua encerrada porque “as cadeiras foram muito caras” e “a sala custou muito dinheiro”, segundo consta ter dito o responsável pelas instalações.
Enquanto se tiver em Rabo de Peixe, à frente de projectos deste tipo, pessoas que pensam que a população de Rabo de Peixe não merece…isto vai mal!

analfabetado por ilheu às 12:29

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