"o pior analfabeto é o analfabeto político..." Bertold Brecht

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Quarta-feira, 7 de Setembro de 2005

Sócrates e o choque tecnológico

José Sócrates deu início ao que durante a campanha eleitoral chamou de “choque tecnológico”, com o anúncio de deduções no IRS para famílias que, tendo estudantes no seu agregado familiar, adquiram computadores, tendo referido que a meta é conseguir-se que em cada casa exista um computador.
A medida até é positiva principalmente numa altura em que cada vez mais se fala de infoexclusão e nas suas consequências nomeadamente no que respeita ao acesso ao trabalho. Contudo, assume contornos no mínimo caricatos, ou não vivêssemos nós num país onde não só continua a haver exclusão social e pobreza, como estas se têm vindo a agravar com as medidas anti-sociais postas em prática pelos sucessivos governos.
Não só é cada vez maior o número de pobres, como tem aumentado o número de pessoas que vivem abaixo do limiar da pobreza, situação que se agrava com a actual conjuntura económica em que vivemos; com a política de austeridade em relação aos trabalhadores; com os aumentos salariais a não acompanharem o aumento do custo de vida; com o aumento do desemprego; com o aumento do IVA… enfim, com um rol enorme de situações que fazem de Portugal, um país que se quer desenvolvido, mas que tem características terceiromundistas.
Por outro lado, parece que Sócrates já se esqueceu da sua anunciada paixão pelas questões sociais, pois a prática tem demonstrado precisamente o contrário. Mais uma vez ficou provado que as paixões rosas não só murcham depressa, como normalmente até são prejudiciais.
Será que a grande maioria das famílias portuguesas terão dinheiro para investir em computadores, quando muitos são os que cada vez mais têm de apertar os cordões à bolsa a ver se o dinheiro chega ao fim do mês sem que falte nada lá em casa?!
Será que medidas como esta não seriam mais viáveis, justificadas e compreendidas quando não tivéssemos as taxas de abandono escolar e de analfabetismo que temos?!
Medidas destas não podem nem devem ser tomadas de forma avulsa, devem fazer parte de uma série de medidas e iniciativas destinadas a promover realmente a igualdade de oportunidades, mas não podemos falar nessa promoção quando ainda temos desigualdades gritantes noutras áreas, nomeadamente no que respeita à satisfação de necessidades bem mais prementes como a da alimentação.
Por outro lado, Sócrates falou igualmente na educação e nos custos da mesma, com uma demagogia que nem sei se dá vontade de rir ou de chorar… Basta vermos que é o mesmo governo que fala na igualdade de oportunidades no que respeita ao acesso a meios informáticos que prossegue com a política de “segregação” nas escolas, dando orientações quanto à formação de turmas que em nada são promotoras da igualdade, como indicam precisamente no sentido contrário.
Há dias, em conversa com uns amigos e falando sobre forma discriminatória como são seleccionados os alunos para as turmas, um deles dizia-me que, enquanto cidadã tinha todo o direito de defender a integração de maus e bons alunos na mesma turma. No entanto, como mãe, deveria querer o melhor para os meus filhos, ficando satisfeita com o facto destes serem integrados em turmas “boas”… Tudo isto porque o critério que tem estado na base da formação de turmas segue o velho ditado de que “uma maçã podre num cesto de maçãs sãs, estraga as que estão boas”. É óbvio que se defendo a integração social, a igualdade de oportunidades independentemente do extracto social a que se pertença, não posso concordar com este critério segregador. Logo, por uma questão de coerência – que infelizmente falta a muito boa gente – tenho que o defender em todos os aspectos.
O grande problema é que todos achamos muito bonito falar de integração social, de combate à exclusão, mas depois na prática, contribuímos para a exclusão social nas escolas permitindo que sejam postos em prática critérios desiguais.
Contribuímos igualmente para a guetização, para a marginalização e exclusão de determinadas franjas da nossa sociedade, nomeadamente quando as políticas de habitação social são desenvolvidas não com base em critérios que permitam a resolução dos problemas de habitação e a integração social das pessoas, mas tendo na sua base conceitos economicistas.


analfabetado por ilheu às 10:48

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