"o pior analfabeto é o analfabeto político..." Bertold Brecht

.quem sou

.Março 2009

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
11
12
13
14

15
16
17
18
20
21

22
23
24
25
26
27
28

29
30
31


.recentemente

. Dia do Pai...

. O analfabeto político

. Um cravo de Fraternidade

. Abril, mês dos cravos e d...

. Com irregularidades, mas ...

. Poema...

. Digam lá se isto não é de...

. O que nasce torto…

. Erro de autarca põe idoso...

. Homens e mulheres unidos ...

.as escolhas

. todas as tags

.outras andanças

.fotomemória

.companheiros

. Migração

.Ofeliazinha

Ofeliazinha

.Fraternidade

Fraternidade
Estou no Blog.com.pt

.Quantos já passaram

Terça-feira, 31 de Maio de 2005

É possível outra Europa!

No passado domingo os franceses disseram “Não” à Constituição Europeia. Logo soaram os ecos alarmistas de quem está contra a Constituição está contra a Europa; outros tentaram minimizar a importância do resultado alegando que este era um voto de protesto contra a política interna francesa… enfim, houve até um comentador que referiu a eminência de uma guerra civil…
Durante os próximos dias surgirão muitos comentários, muitas “desculpas”, haverá certamente muita acusação de anti europeísmo para quem se revele contra esta Constituição e este modelo de Europa e certamente que também muitas serão as ameaçadas, mais ou menos declaradas, mais ou menos assumidas, aos países onde o “Não” vá ganhando terreno.
Sei que a notícia sobre os resultados do Referendo em França não podia ter sido notícia de abertura dos telejornais nacionais atendendo a que, à hora de início dos mesmos, ainda não haviam resultados concretos. Mas terá sido por acaso que todos os noticiários nacionais ontem iniciaram com directos a partir da Praça de Bocage em Setúbal e com a vitória do clube sadino sobre o Benfica?!
Se é verdade que o futebol é muito importante para uma grande parte dos portugueses, não é menos verdade que o desporto rei apenas enche barriga aos que giram à volta dele e dos grandes clubes, desde jogadores, treinadores, a administradores das SADs, a empresários…
Se é verdade – e que me perdoem os meus amigos benfiquistas – que até fiquei satisfeita com os resultados do Vitória de Setúbal – não por ser adepta ou gostar de futebol, mas apenas por ter visto uma equipa que não faz parte do grupo dos três grandes, obter tal resultado…
Não é menos verdade que me entristece a constatação de que, cada vez mais, o futebol é “o ópio do Povo”, pois enquanto temos o país praticamente todo parado, colado ao ecrã, a olhar atentamente para uma data de homens que andam a correr de um lado para o outro atrás de uma bola, não pensamos nos aumentos do IVA – que nos farão ter de apertar ainda mais o cinto –; nem nos muitos funcionários públicos que serão “atirados” ao desemprego, ou que verão aumentada a idade de reforma – com todas as repercussões que tal medida terá no sector privado e logo para todos os trabalhadores – e muito menos, andamos preocupados com o que pensam os franceses sobre a União Europeia…
Assim, enquanto andamos preocupados com o futebol ou as telenovelas, não vamos pensando na série de medidas que terão efeitos gravosos nas nossas vidas.
Da mesma forma que não é por acaso que há intenção generalizada de alguns políticos em marcar a realização de um referendo sobre a Constituição Europeia, para a mesma altura em que iremos às urnas eleger os nossos representantes nos órgãos de poder local.
Não haveria inconveniente nesta matéria se a tão ansiada revolução das mentalidades e das prioridades já se tivesse dado, contudo, vamos andar mais preocupados – e bem – com os problemas concretos e específicos da nossa freguesia ou do nosso concelho e a Europa – que até é uma coisa que fica lá longe – passará ao lado das nossas preocupações imediatas.
O grande problema, reside no facto de a Europa não ser uma coisa assim tão distante e de ter implicações concretas e directas no nosso dia a dia.
O problema, é que não podemos colocar a batalha entre o Sim e o Não à Constituição Europeia apenas no plano dos que estão contra ou a favor da Europa.
O problema, é que existem os que sendo favoráveis à construção Europeia, são contra a Constituição, por esta apontar como solução apenas uma determinada Europa, uma Europa onde os ricos mandam e os pobres obedecem; uma Europa onde as assimetrias e as desigualdades entre pobres e ricos se acentuam cada vez mais; uma Europa que nos “apaga” a identidade cultural e social específica; uma Europa onde deixamos ainda mais de ter o poder de decidir o que produzir; uma Europa onde os outros decidem e nós temos de cumprir; uma Europa onde deixamos de poder gerir os nossos mares…
Esta é sem dúvida uma Europa castradora dos direitos, liberdades e garantias individuais e das nações, e é possível um outro modelo europeu, é possível uma Europa assente na solidariedade entre os povos; uma Europa assente nos ideais da Revolução Francesa: “Liberdade, Igualdade, Fraternidade”… é possível uma Europa onde todos possam produzir consoante as suas capacidades e necessidades visando o desenvolvimento equilibrado… é possível uma Europa onde não existam alguns privilegiados e outros que têm de se subjugar constantemente…!
Espero que, independentemente da data em que se venha a realizar o Referendo no nosso país, que os Portugueses compreendam que afinal, esta história da Constituição Europeia, não só tem muito que se lhe diga, como tem implicações concretas e directas no nosso dia a dia.

analfabetado por ilheu às 09:58

para onde devo ir | ajuizar | juntar...
|

3 comentários:
De Anónimo a 6 de Junho de 2005 às 01:32
O que eu sei é que há dois "não" e os gajos continuam com o processo, vão acabar por contornar a questão...

Mas a luta continua ;o)Flatulência
(http://gasesaovento.blogs.sapo.pt)
(mailto:flatuencia@sapo.pt)


De Anónimo a 5 de Junho de 2005 às 21:43
http://liricavitorricardo.blogspot.com (http://liricavitorricardo.blogspot.com)Vitor Ricardo
</a>
(mailto:vmvricardo@gmail.com)


De Anónimo a 31 de Maio de 2005 às 19:47
O Centro de Estudos Revolucionários de Famalicão (C.E.R.F.) tem o prazer de apresentar o seu mais recente trabalho literário:
“Eles Andem Aí! – Crítica e Construção Subversiva”
Deste modo, disponibilizamos todo o conteúdo do livro em formato digital e totalmente gratuito, no endereço de Internet: http://ElesAndemAi.pt.vu
Em forma de crónicas, artigos de imprensa e até desvarios literários (provocados por insónias) a escrita satírica alterna com rigorosas análises ao estado actual da nossa sociedade.
Terrorismo, guerra, liberdade, comunismo, pico do petróleo e crise económica são alguns dos muitos temas abordados neste trabalho.

Não querendo de modo algum, desmotivar o interesse por este ensaio, advertimos que sua leitura pode ferir algumas susceptibilidades!cerf
</a>
(mailto:cerf@portugalmail.pt)


Comentar post