"o pior analfabeto é o analfabeto político..." Bertold Brecht

.quem sou

.Março 2009

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
11
12
13
14

15
16
17
18
20
21

22
23
24
25
26
27
28

29
30
31


.recentemente

. Dia do Pai...

. O analfabeto político

. Um cravo de Fraternidade

. Abril, mês dos cravos e d...

. Com irregularidades, mas ...

. Poema...

. Digam lá se isto não é de...

. O que nasce torto…

. Erro de autarca põe idoso...

. Homens e mulheres unidos ...

.as escolhas

. todas as tags

.outras andanças

.fotomemória

.companheiros

. Migração

.Ofeliazinha

Ofeliazinha

.Fraternidade

Fraternidade
Estou no Blog.com.pt

.Quantos já passaram

Quarta-feira, 18 de Maio de 2005

Crianças em risco perante apatia da sociedade…

No fim da semana passada foi novamente levantada a situação lamentável que se vive no Tribunal de Família e Menores de Ponta Delgada. Um dia depois, eram publicadas declarações da Presidente da Comissão Nacional de Protecção de Crianças e Jovens, revelando um estudo da UNICEF referente ao ano de 2004, segundo o qual Portugal ocupa o primeiro lugar na lista dos países onde mais crianças morrem vítimas de maus tratos.
Á primeira vista pode parecer não existir qualquer relação entre as duas notícias, contudo, não só ambas se referem às crianças, como são reveladoras de medidas políticas terceiromundistas duma sociedade que se diz civilizada.
Lamentável é que, enquanto não houver uma sacudidela nas mentalidades de quem faz as leis, de quem decide as prioridades, de quem distribui os dinheiros do orçamento do Estado, muitas das nossas crianças continuarão em risco.
Como a corda normalmente rebenta para o lado mais fraco, o normal é “atirarem-se as culpas” para os técnicos de segurança social, para as assistentes sociais, para os funcionários judiciais, para os magistrados… enfim, para todos e mais alguns, mas nunca para quem tem o poder de decisão.
Enquanto se embarra em burocracias e mais burocracias; em papéis e mais papéis; em relatórios e mais relatórios, sem que haja a preocupação política de defender acima de tudo os interesses das crianças, continuaremos a ter casos como os da Joana e de muitas outras Joanas que não conseguem o mediatismo e cuja memória permanece silenciada no esquecimento.
Foram dados alguns passos importantes nos últimos anos com a criação dos Julgados de Paz e das Comissões de Protecção de Crianças e Jovens em Risco, mas será que já foi efectuada uma avaliação séria do que está a ser feito e do que é necessário alterar?!
Será que já foram detectados e diagnosticados os problemas que urge resolver?!
Será que já foram apresentadas medidas concretas para a resolução dos problemas?!
Possivelmente, mas também possivelmente, e mais uma vez, os critérios economicistas devem ter falado mais alto, ou não seja esta uma área que não dá votos…
Será que se o empenho político na resolução dos problemas do Tribunal de Família e Menores de Ponta Delgada fosse comparável a promessas (normalmente esquecidas após as eleições) de reduções das tarifas aéreas, ou de aumentos salariais (promessas estas que pelo impacto mediático dão votos), já teria havido interesse por parte das autoridades regionais em pressionar quem de direito para a resolução de uma situação que não só se arrasta há demasiado tempo, como continua a agravar-se…?
Quando falamos de protecção de crianças e jovens, ou de tribunais como este, estamos a falar de pessoas, de seres humanos, para quem um dia a mais sem uma decisão por falta de meios humanos, técnicos e financeiros, pode representar o fim das suas vidas ou traumas para toda a vida.
É lamentável que, vivendo nós num país que tem uma das Constituições mais progressistas no que respeita a direitos e garantias sociais, não só ainda haja muito para fazer, como em alguns casos, se têm verificado grandes retrocessos e falta de vontade política.
Apesar dos alertas de todos os que trabalham na área e se interessam e empenham realmente na resolução dos problemas das crianças, o poder político e a opinião pública, continuam a “fazer orelhas moucas” e a enterrar a cabeça na areia, fingindo estar tudo bem…
A responsabilidade por estas situações é de todos nós, enquanto elementos desta sociedade, que vamos prosseguindo com as nossas vidinhas, sem nos preocuparmos em pressionar quem de direito para resolver os problemas existentes.
Assim, todos nós, devemos envergonhar-nos com os resultados deste relatório, da mesma forma que todos nós nos devemos envergonhar com as taxas de abandono e insucesso escolar, com as taxas de iletracia, com as taxas de exploração de mão de obra infantil, que nada têm a ver com um país que se quer desenvolvido. E isto porque, pelo menos na minha opinião, o desenvolvimento e o progresso económicos só são bons, quando acompanhados de desenvolvimento e progresso social.

analfabetado por ilheu às 10:48

para onde devo ir | ajuizar | juntar...
|

1 comentário:
De Anónimo a 20 de Maio de 2005 às 21:51
Querida Lurdes. Um texto como o teu é merecedor de todo o nosso apoio e reflexão.

O que se passa em Ponta Delgada, verifica-se infelizmente, por todo o nosso País.

Para terminar, quero dizer-te que subscrevo as tuas palavras na íntegra.

Beijocas.
Fernando B.
(http://lusomerlin.blogspot.com)
(mailto:ftcb@netcabo.pt)


Comentar post

.memórias

. Março 2009

. Junho 2007

. Junho 2006

. Abril 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Janeiro 2006

. Dezembro 2005

. Novembro 2005

. Outubro 2005

. Setembro 2005

. Julho 2005

. Junho 2005

. Maio 2005

. Abril 2005

. Março 2005

. Fevereiro 2005

.Ofeliazinha

Ofeliazinha

.fotomemória

.Quantos já passaram

.subscrever feeds